Un pulso visual
Ensaio crítico independente por Iñaki Bergera
Nascido em 1972, em Vitoria-Gasteiz, Espanha, Iñaki Bergera é arquiteto, fotógrafo e investigador, sendo atualmente Professor Catedrático de Projeto de Arquitetura na Universidade de Saragoça. Licenciou-se em Arquitetura pela Universidade de Navarra em 1997, onde concluiu o doutoramento em 2002. Com uma bolsa da Fundação “la Caixa”, realizou também um mestrado em Design Studies na Universidade de Harvard, que concluiu com distinção em 2002, tendo aí estudado fotografia com Chris Killip. A sua investigação e prática artística exploram as relações entre fotografia, arquitetura, paisagem e território. Coordenou o projeto de investigação Photography and Modern Architecture in Spain, 1925–1965 e foi comissário de exposições sobre esta temática no Museu ICO, em Madrid, integradas no programa PHotoEspaña. É autor e editor de mais de vinte livros, tendo publicado numerosos artigos em revistas científicas. Entre os seus projetos fotográficos destacam-se America, Urban Landscape (2006), In the Landscape (2010), Twentysix (Abandoned) Gasoline Stations (2014) e Empty Parking Spaces (2020), apresentados em exposições individuais e coletivas. Desenvolveu também atividades de investigação em instituições como o Canadian Centre for Architecture, o Getty Research Institute e o International Center of Photography. O seu trabalho cruza a investigação arquitetónica com a prática fotográfica, propondo leituras críticas da paisagem contemporânea e do ambiente construído.
"A fotografia de arquitetura, particularmente aquela que procura contextualizar a arquitetura na complexidade e heterodoxia das suas dimensões urbanas e territoriais, reclamava também um espaço próprio de competição e reconhecimento externo. Foi este o propósito que levou a editora portuguesa scopio a promover a primeira edição do Prémio Internacional de Fotografia Luis Ferreira Alves, prestando simultaneamente homenagem à figura e ao legado do fotógrafo, falecido em 2022, que soube construir magistralmente o imaginário da melhor arquitetura portuguesa do último quartel do século XX.
Com um júri que integrou o arquiteto Eduardo Souto de Moura e os fotógrafos Hélène Binet e Paulo Catrica, as quase 1.500 candidaturas testemunham a vitalidade de uma disciplina que se afasta do mero registo documental para mergulhar — influenciada pela dimensão artística da fotografia contemporânea — em leituras holísticas e transversais do universo construído. O livro, que serve também de catálogo da exposição, apresenta os resultados do concurso (três prémios, sete finalistas e duas menções especiais) e permite fazer o balanço de uma incontornável mudança de paradigma.
O iraniano MAHO, com a série Frequent Whites, retrata a paisagem urbana surreal de Pardis, uma cidade nova de torres brancas implantada num cenário montanhoso nos arredores de Teerão. A atmosfera poética e leitosa, captada ao longo das diferentes estações do ano, evidencia o contraste entre a natureza intocada e a acelerada transformação do território pela ação humana. Através de imagens de grande beleza, o contraste entre contexto e construção suaviza uma realidade desumanizada e (in)habitável.
O francês Cyrille Weiner, com a série Oui avec plaisir (2004–2006), explora os espaços interiores, particularmente o universo cenográfico e performativo dos teatros e auditórios temporários de Patrick Bouchain. Há aqui um renovado esforço de captar a dimensão atmosférica e vivificante de espaços funcionais, que a nossa imaginação ajuda a ativar.
O reconhecido fotógrafo valenciano Sergio Belinchón completa o trio de premiados com Provisional Atlas of Berlin (2021–2024). Experiente intérprete de paisagens urbanas em transformação, Belinchón encontra um exemplo sintomático das profundas mudanças que atravessam as cidades históricas europeias. No caso da capital alemã, os rápidos processos de demolição e reconstrução, que se inscrevem na malha urbana como num palimpsesto, evocam as marcas da história e da memória, ganhando vida em imagens paradoxalmente belas, autónomas e transcendentes.
James Smith, Kris Scholz, Seunggu Kim, Ricardo Nunes, Marco Yat Chun Chan, Nuno Serrão, Vincenzo Pagliuca, Sana Ahmadizadeh e Amelia Lancaster completam o conjunto dos distinguidos, compondo um retrato simultaneamente diverso e recorrente que põe a descoberto a fragilidade da configuração atual do ambiente construído. A fotografia de arquitetura é um instrumento de reflexão, um meio mais do que um fim. O olhar do fotógrafo, mais ou menos embelezador, mas sempre sugestivo, transcende o objeto retratado e, na autonomia da sua própria linguagem, afirma-se como merecedor do reconhecimento e do estímulo para os quais este concurso tem vindo a contribuir com sucesso." (Extraído da revista Arquitectura Viva, 01/12/2025)